Juiz examina proibição de Trump a veículos de comunicação na Casa Branca
Um juiz federal dos Estados Unidos realiza nesta quarta-feira (23) uma audiência para examinar o pedido de CNN, MS NOW e Politico para que seu acesso à Casa Branca seja restabelecido, depois que Donald Trump retirou as credenciais dos três veículos.
Os veículos recorreram à Justiça depois que Trump ordenou, na última sexta-feira, que sua entrada fosse proibida como punição pela divulgação do que o presidente classificou como "notícias falsas".
CNN, MS NOW e Politico solicitaram uma ordem de restrição temporária contra o veto.
Em uma petição apresentada ao tribunal, os veículos afirmaram que a proibição de acesso "não poderia ser um ataque mais direto à Primeira Emenda nem uma violação mais flagrante de nossos princípios constitucionais mais fundamentais", em referência à Constituição americana, que garante o direito à liberdade de imprensa.
Os jornalistas desses veículos tiveram o acesso à Casa Branca negado no sábado e seus passes foram confiscados, no mais recente episódio da prolongada ofensiva do presidente republicano contra os meios de comunicação tradicionais dos Estados Unidos.
A audiência perante o juiz distrital Timothy Kelly, nomeado por Trump, começou às 15h30 (16h30 em Brasília), com a participação de advogados dos veículos e do governo.
Em um caso anterior envolvendo a CNN durante o primeiro mandato de Trump, Kelly ordenou que a Casa Branca restabelecesse temporariamente o acesso de um correspondente da emissora cujo passe havia sido revogado.
Em um documento judicial apresentado pouco antes, o Departamento de Justiça afirmou que Trump pode "controlar o acesso dos jornalistas a áreas presidenciais restritas, como o Salão Oval".
"O acesso à Casa Branca é um privilégio, não um direito", declarou.
Em uma carta anexada e dirigida à CNN, o Escritório de Imprensa da Casa Branca acusou a emissora de "divulgar falsidades comprováveis sobre segurança nacional e outros temas e publicar informações sensíveis ou sigilosas".
Acusações semelhantes foram feitas contra a MS NOW e o Politico.
A carta à CNN citava várias reportagens sobre a guerra com o Irã e outra sobre os planos de Trump de construir um bunker militar sob o salão de baile projetado para a Ala Leste da Casa Branca, que supostamente "revelava detalhes de construção 'ultrassecretos'".
P.Philippe--JdCdC