Banco Mundial estima em cerca de US$ 19,5 bi danos dos terremotos na Venezuela
O Banco Mundial estimou, nesta quinta-feira (23), que os terremotos devastadores que sacudiram a Venezuela no mês passado provocaram danos físicos diretos de aproximadamente 19,5 bilhões de dólares (R$ 98,7 bilhões, na cotação atual), e sugeriu uma parceria público-privada para a reconstrução.
Segundo esta primeira avaliação rápida do Banco Mundial, os danos às moradias representaram quase metade do total, com 9,3 bilhões de dólares (R$ 47 bilhões), enquanto os prédios não residenciais sofreram perdas de 5 bilhões de dólares (R$ 25,3 bilhões) e a infraestrutura sofreu perdas de um total de 5,2 bilhões de dólares (R$ 26,3 bilhões).
Pelo menos 5.398 pessoas morreram em decorrência dos terremotos de 24 de junho, segundo um balanço oficial, e centenas de prédios foram destruídos.
Os estados de La Guaira e Distrito Capital foram os mais impactados, com 47% do total dos danos detectados, seguidos de Miranda e Carabobo.
Pelo menos 16.740 pessoas ficaram feridas e estimativas extraoficiais estimam o número dos desaparecidos em vários milhares.
As Nações Unidas calculam que mais de um milhão de pessoas precisam de ajuda humanitária imediata.
Em sua primeira análise de dados, uma semana após os terremotos, a ONU tinha dado uma cifra muito mais elevada desta do Banco Mundial, da ordem de 37 bilhões de dólares (R$ 187,3 bilhões).
- Impactos durante uma década -
A avaliação calcula que o ritmo da reconstrução será "um fator decisivo para moldar a recuperação econômica do país e seus resultados sociais".
O desastre afetará os níveis de produtividade, consumo e o crescimento do PIB da Venezuela durante a próxima década, alertou a entidade com sede em Washington.
"Estes impactos podem ser mitigados ampliando o investimento público e privado para acelerar a reconstrução", sugerem os especialistas.
"Se a margem fiscal se ampliar, um maior investimento público poderia antecipar a reconstrução e as transferências às famílias afetadas mitigariam as perdas de consumo", acrescentam.
A avaliação do Banco Mundial sobre as necessidades de custos de reconstrução chega a aproximadamente 18% do PIB atual do país, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).
"Antes do terremoto, os estados afetados enfrentavam pressões diferentes, mas sobrepostas", lembra o informe.
Rica em petróleo, gás e minerais, a Venezuela enfrenta durante anos uma pobreza generalizada devido à má gestão econômica e à intensa pressão dos Estados Unidos.
Essa pressão foi aliviada desde que Washington depôs o então presidente Nicolás Maduro em uma operação militar em janeiro, mas as necessidades econômicas e sociais da população seguem sendo pouco significativas.
Washington assumiu o controle das receitas petroleiras do país, que são depositadas em contas bancárias dos Estados Unidos.
Oficialmente, o governo do presidente americano, Donald Trump, supervisiona estreitamente no que estas receitas são gastas.
A compra de medicamentos, itens de primeira necessidade, mas também maquinário de origem americana foram os primeiros gastos do governo da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, segundo o Departamento de Estado.
O BM e o FMI restabeleceram contatos com o governo venezuelano desde que Maduro foi deposto, e o Fundo já proporcionou cerca de 346 milhões de dólares (R$ 1,75 bilhão) das reservas do país com a instituição financeira multilateral.
"Os terremotos transtornaram vidas, danificaram infraestrutura crítica e criaram novos desafios para a recuperação da Venezuela", disse Susana Cordeiro Guerra, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, citada em um comunicado.
O Banco Mundial apoiará os esforços de recuperação "a cada passo do caminho", acrescentou.
Um mês depois dos terremotos, continuam os trabalhos de buscas de pessoas, cujos restos mortais poderiam estar sob montanhas de escombros, mas as operações evoluíram para se centrar na ajuda humanitária posterior aos terremotos e na reconstrução.
No começo deste mês, as Nações Unidas lançaram um chamado urgente de quase 300 milhões de dólares (R$ 1,5 bilhão) para proporcionar a ajuda necessária a 1,3 milhão de pessoas.
Delcy Rodríguez prometeu esta semana entregar 4.000 residências antes do fim do ano para deslocados pelos terremotos, inclusive para os cerca de 23.000 que agora estão sem moradia.
G.Girard--JdCdC