Journal du Club des Cordeliers - PF investiga Jaques Wagner, aliado de Lula, por suspeitas ligadas ao Banco Master

PF investiga Jaques Wagner, aliado de Lula, por suspeitas ligadas ao Banco Master
PF investiga Jaques Wagner, aliado de Lula, por suspeitas ligadas ao Banco Master / foto: Heuler Andrey - AFP/Arquivos

PF investiga Jaques Wagner, aliado de Lula, por suspeitas ligadas ao Banco Master

A Polícia Federal iniciou, nesta quinta-feira (18), uma operação contra o senador Jaques Wagner (PT), importante aliado do presidente Lula e líder do governo no Senado, por supostas irregularidades ligadas ao escândalo do Banco Master, disse uma fonte à AFP.

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A PF anunciou que cumpre 18 mandados de busca e apreensão em três estados, como parte de uma investigação relacionada ao liquidado banco e supostos laços entre seu proprietário e figuras dos poderes públicos.

Wagner é um dos alvos da operação, disse uma fonte da polícia à AFP.

A inclusão do senador na investigação sobre o Banco Master aproxima este escândalo do governo do presidente Lula, que tentará a reeleição em outubro.

Segundo a ordem do Supremo Tribunal Federal que autorizou a operação, Wagner, de 75 anos, é acusado de receber "vantagens econômicas indevidas", como vultosos pagamentos e um apartamento que superam um milhão de dólares (5,06 bilhões de reais, na cotação atual), bem como o uso de aviões particulares.

Em troca, ele teria atuado na defesa dos interesses do Banco Master, como a tramitação no Senado de uma emenda constitucional - que não avançou - para aumentar o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) aos bancos do país.

- Lavagem de dinheiro -

Em um comunicado que não mencionou suspeitos, a Polícia Federal disse que investiga "a eventual participação de agente público em esquema de irregularidades" com instituições financeiras.

Segundo o STF, "o conjunto informativo descrito pela Polícia Federal revela, em juízo de cognição sumária, indícios suficientes de crimes graves, notadamente corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos financeiros conexos".

O caso começou em novembro, com a liquidação por insolvência do Banco Master, com mais de 7 bilhões de dólares em dívidas (35,4 bilhões de reais, na cotação atual) a cerca de 800 mil investidores ressarcidos pelo Fundo Garantidor de Crédito.

Logo se desdobrou em uma investigação que aponta para vínculos suspeitos entre o banqueiro Daniel Vorcaro e figuras dos poderes públicos dos dois lados do espectro político.

Vorcaro foi preso em março, meses antes das eleições gerais de outubro.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, é questionado por ter negociado com o banqueiro.

Segundo áudios divulgados pela imprensa, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022) pediu dinheiro a Vorcaro para realizar um filme sobre seu pai, produzido nos Estados Unidos e protagonizado pelo ator Jim Caviezel.

Depois destas revelações, Flávio Bolsonaro recuou nas pesquisas e agora se situa vários pontos atrás de Lula nas intenções de voto para o segundo turno.

O senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro (2019-2022) também é investigado por receber dinheiro do Master em troca de favores políticos.

Lula, que admitiu ter se reunido com Vorcaro em 2024, prometeu que o caso será investigado até as últimas consequências.

Senador pelo PT, Wagner foi governador da Bahia e ocupou vários cargos no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (2011-2016), incluindo o de ministro da Defesa.

O presidente do PT, Edinho Silva, expressou confiança no Parlamento e espera que as acusações sejam esclarecidas.

"Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis, penalizados", declarou Silva em nota.

L.Louis--JdCdC