Journal du Club des Cordeliers - Keiko Fujimori toma posse como presidente no Peru com desafio de enfrentar onda de criminalidade

Keiko Fujimori toma posse como presidente no Peru com desafio de enfrentar onda de criminalidade
Keiko Fujimori toma posse como presidente no Peru com desafio de enfrentar onda de criminalidade / foto: Connie FRANCE - AFP

Keiko Fujimori toma posse como presidente no Peru com desafio de enfrentar onda de criminalidade

A direitista Keiko Fujimori tomou posse nesta terça-feira (28) como presidente do Peru em uma cerimônia realizada no Congresso, com o desafio de enfrentar o crime organizado que assola o país e que ela prometeu combater com um governo de linha dura.

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A administradora, de 51 anos, venceu a eleição em junho por menos de 50 mil votos sobre o esquerdista Roberto Sánchez, após perder, desde 2011, três eleições consecutivas no segundo turno.

"Juro (...) que exercerei fielmente o cargo de presidente da República que a nação me confiou para o período de 2026 a 2031", declarou Fujimori, a segunda mulher a assumir o poder no país andino, depois de Dina Boluarte (2022-2025).

Após seu juramento, um grupo de parlamentares de esquerda, que rejeita sua posse, deixou o plenário em protesto.

A presidente é filha do falecido ex-presidente autocrata Alberto Fujimori (1990-2000), que completaria aniversário nesta terça-feira. Sua vitória marca o retorno do fujimorismo ao poder, um movimento populista que oscila entre o conservadorismo e o liberalismo e divide os peruanos.

A líder do partido Força Popular anunciou que governará com mão de ferro, à semelhança do pai, sobretudo para enfrentar a pior crise de segurança pública vivida pelo país andino desde o conflito armado interno (1980-2000).

"Concordo plenamente" com suas promessas, diz Nelly Vega, dona de casa de 68 anos. "Ela vai nos levar a uma situação melhor. Vivemos em um país tomado pelo terror", acrescenta.

Mas Keiko Fujimori ainda não convence muitos peruanos, que veem seu partido como um dos responsáveis pela instabilidade política enfrentada pelo Peru na última década.

"Não tenho confiança nela, mas o que podemos fazer? O Peru ficou dividido ao meio", disse à AFP Franklin González, trabalhador autônomo de 62 anos, no centro de Lima.

Desde 2016, o país de 34 milhões de habitantes teve oito presidentes, a maioria destituída ou levada a renunciar pelo Congresso, onde o fujimorismo tem sido uma força decisiva.

Fujimori, que substitui o presidente interino José María Balcázar, foi eleita para governar até 2031.

Com sua posse, o Peru se juntará à onda de governos de direita alinhados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que avança pela América Latina.

Participaram da cerimônia os presidentes Javier Milei (Argentina), José Antonio Kast (Chile), Rodrigo Paz (Bolívia), Daniel Noboa (Equador) e Yamandú Orsi (Uruguai), entre outros líderes.

– Mandados de busca e expulsões –

Durante a campanha, Fujimori conquistou votos recorrendo ao legado do patriarca Alberto Fujimori, figura que continua polarizando os peruanos.

Embora seja creditado pela derrota da sangrenta guerrilha maoista Sendero Luminoso e pelo fim de uma hiperinflação, Alberto Fujimori também é lembrado por ter fechado o Congresso com apoio militar e por ter sido condenado por violações de direitos humanos. Seu governo terminou em meio a escândalos de corrupção.

"Vai ser uma réplica do pai", afirmou César Fuentes, aposentado de 80 anos, que teme que as estratégias de combate à insegurança resultem em abusos.

Fujimori propõe realizar mandados de busca em áreas consideradas perigosas, expulsar imigrantes em situação irregular, instalar tribunais anônimos e retirar o Peru da jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

No Peru, o número de homicídios passou de 1.000 em 2018 para 2.600 em 2025, enquanto as denúncias de extorsão aumentaram de 3.200 para 26.500.

O sociólogo David Sulmont afirmou à AFP que, "se o governo não conseguir demonstrar rapidamente que está enfrentando" o problema da insegurança, "isso poderá desgastar sua legitimidade e sua popularidade".

Diante da instabilidade, Fujimori propôs recentemente uma "reconciliação nacional".

Ela será obrigada a "construir uma coalizão que lhe permita alcançar um nível de governabilidade maior do que o de seus antecessores", afirma Sulmont.

No Congresso, seu partido possui a maior bancada, mas os grupos de direita não têm maioria suficiente para aprovar todos os seus projetos.

– Fenômeno El Niño –

Além da insegurança, outro grande desafio será a chegada do fenômeno El Niño, com chuvas e secas extremas, além de um aquecimento incomum das águas do oceano, que os meteorologistas preveem ser o mais intenso e devastador desde 1998.

O fenômeno climático poderá afetar a economia peruana, considerada uma das mais estáveis da América Latina.

Se o governo não responder "de maneira eficiente" para prevenir desastres e uma crise no setor agrícola, "isso vai gerar um forte descontentamento social", afirmou à AFP o cientista político Arturo Maldonado, pesquisador da Pontifícia Universidade Católica do Peru.

L.Lefebvre--JdCdC