Zelensky afirma que iniciativa na guerra com a Rússia 'não está nas mãos' de Putin
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, afirmou em uma visita a Washington que a iniciativa na guerra com a Rússia "agora não está nas mãos" de Vladimir Putin e que o presidente russo se recusa a encerrar o conflito, apesar de sofrer "muitas baixas".
Zelensky se reuniu na terça-feira (28) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, no momento em que Kiev e Moscou intensificam os ataques e os esforços diplomáticos liderados por Washington para acabar com o conflito, iniciado em fevereiro de 2022 com a invasão russa, estão paralisados.
"Putin está perdendo 30.000 soldados por mês... são muitas baixas, mas não quer parar esta guerra. Então, agora a iniciativa não está nas mãos de Putin", declarou Zelensky em uma entrevista ao canal Fox News.
"Pedimos que esta guerra seja interrompida todos os dias, no mínimo para negociar um cessar-fogo por um determinado período e dar aos diplomatas a possibilidade de negociar. Mas Putin não quer (...). Por isso temos que responder, ser duros, fortes. Não apenas nós. Contamos com as sanções", insistiu o presidente ucraniano.
Zelensky destacou a "boa reunião" que teve com Trump, durante a qual abordaram a possibilidade de que a Ucrânia produza interceptores Patriot, vitais para a defesa antiaérea de Kiev.
"O presidente e eu discutimos licenças para a produção de interceptores Patriot e várias outras ideias que poderiam ajudar", explicou Zelensky em uma mensagem na rede social X.
No início de julho, Trump expressou a disposição de autorizar a Ucrânia a produzir estes equipamentos de mísseis.
Segundo a ONU, junho foi o mês mais mortal para os civis ucranianos desde abril de 2022, depois que a Rússia intensificou os ataques com mísseis de difícil interceptação.
Apenas os sistemas americanos Patriot são capazes de derrubá-los, mas a Ucrânia enfrenta uma falta de projéteis interceptores PAC‑3. A escassez se agravou desde a guerra iniciada por Estados Unidos e Israel contra o Irã no fim de fevereiro.
Após o encontro com Zelensky, Trump publicou fotos nas redes sociais com a legenda: "Falamos sobre muitas coisas. A reunião foi muito boa!".
Algumas horas depois, durante a madrugada de quarta-feira (29), os combates prosseguiram: autoridades da cidade ucraniana de Kherson, no sul do país, informaram que um homem morreu e dois ficaram feridos em um ataque com drones russos.
Moscou, por sua vez, informou que uma mulher morreu e um homem ficou ferido durante um bombardeio na cidade portuária de Taganrog, no sul do país.
- Sanções -
A relação entre Zelensky e Trump voltou a bons termos desde o embate no Salão Oval em fevereiro de 2025, quando o americano acusou o ucraniano de ingratidão e de "brincar com a Terceira Guerra Mundial".
O magnata republicano chegou a sugerir, há algumas semanas, que os ataques ucranianos dentro da Rússia poderiam ajudar a acabar com a guerra.
Zelensky também participou na terça-feira de uma cerimônia em memória do senador republicano Lindsey Graham, um firme defensor da Ucrânia que morreu este mês aos 71 anos.
Depois do encontro com Trump e da homenagem a Graham, Zelensky discursou para senadores americanos antes da primeira votação de procedimento sobre um projeto de lei bipartidário de sanções contra a Rússia.
Graham promoveu a medida e chegou a um acordo com a Casa Branca sobre as revisões pouco antes de sua morte.
Uma votação bipartidária garantiu o avanço do projeto para a aprovação final, o que aumenta a pressão sobre a Câmara dos Representantes, onde o texto enfrenta divisões mais profundas.
"Este é o primeiro passo rumo à implementação dos planos de Lindsey e, sem dúvida, um passo rumo à paz", escreveu Zelensky no X.
Horas antes da reunião de Zelensky com Trump, Kiev lançou centenas de drones contra a Rússia. Moscou, por sua vez, disparou mais de 100 dispositivos não tripulados contra a Ucrânia durante a noite e continuou atacando o porto de Odessa e navios que transportam exportações agrícolas ucranianas.
G.Gerard--JdCdC