Journal du Club des Cordeliers - Papa celebra missa multitudinária na Champs-Elysées, em Paris

Papa celebra missa multitudinária na Champs-Elysées, em Paris
Papa celebra missa multitudinária na Champs-Elysées, em Paris / foto: Alberto PIZZOLI - POOL/AFP

Papa celebra missa multitudinária na Champs-Elysées, em Paris

O papa Leão XIV começou a celebrar, neste sábado (26), uma missa com grande público na Champs-Elysées, em Paris, diante de 700 mil pessoas, entre elas políticos franceses, após fazer um apelo ao convívio "com dignidade e paz" durante um encontro com migrantes.

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O pontífice desceu a famosa avenida Champs-Elysées partindo do Arco do Triunfo a bordo de seu papamóvel, que parou ao longo do trajeto para abençoar bebês, enquanto o público aplaudia e agitava bandeiras do Vaticano.

A primeira visita de um papa a Paris desde Bento XVI, em 2008, vem acompanhada de um amplo entusiasmo popular neste país oficialmente laico, onde os batismos de adolescentes e adultos aumentaram nos últimos cinco anos (21.386 neste ano), apesar de a prática religiosa recuar de forma geral.

"O papa é a estrela!", afirmou Virginie Courtot, de 51 anos, que compareceu acompanhada de sua família. "É o papa de que precisamos na época atual (...) e, depois das graves crises pelas quais a Igreja passou, ele pode relançar a prática ainda mais", adicionou.

O fervor por Leão XIV era notável na Praça da Concórdia e na Champs-Élysées momentos antes da missa, o ponto alto de sua primeira visita de quatro dias à França. Segundo o Vaticano, cerca de 700 mil fiéis estavam presentes.

A professora Marie Besnier, de 38 anos, chegou às 9h00 da manhã ao local, vinda da região de Chartres, com seus três filhos de 5, 8 e 11 anos, que esperam sentados no chão, desenhando figuras do papa.

"Estamos impressionados, e eu dizia às crianças que elas tinham de aproveitar o momento, porque não viverão algo assim duas vezes na vida", explicou à AFP a mulher, que espera que o líder dos 1,4 bilhão de católicos no mundo traga "uma mensagem de paz, de união", "sobretudo antes da eleição" presidencial francesa de 2027.

A sete meses deste pleito, vários candidatos estavam presentes na missa, como a ultradireitista Marine Le Pen e o centrodireitista Edouard Philippe, mas não o atual presidente de centro-direita, Emmanuel Macron, cujo mandato termina em maio.

- "Dignidade e paz" -

No momento em que os partidos de extrema direita avançam na Europa com um discurso anti-imigração, Leão XIV decidiu visitar a Casa Bakhita, uma associação católica de ajuda a migrantes onde ouviu o testemunho de exilados do Afeganistão e da Nigéria.

"Fico feliz por começar com vocês neste segundo dia em Paris, nesta casa que é testemunho para toda a cidade de que é possível nos encontrarmos e convivermos com dignidade e paz", destacou o pontífice.

O nome desta casa, fundada em 2017 após o apelo do papa Francisco para "acolher, proteger e integrar" os estrangeiros, homenageia Josefina Bakhita, uma escravizada sudanesa que se tornou religiosa e depois foi canonizada.

"Santa Bakhita nos convida a ver aqueles que são invisibilizados, a libertar aqueles que a economia e a cultura reduzem hoje à escravidão", acrescentou.

Para os responsáveis pelo centro, a visita era uma "mensagem", no momento em que a imigração promete ser um dos temas centrais da eleição presidencial, que Le Pen lidera nas pesquisas.

Desde sua eleição como papa em maio de 2025, Robert Francis Prevost costuma instar a defesa da dignidade de exilados e refugiados, e não hesita em criticar a política migratória do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Após a missa multitudinária, Leão XIV voará para o santuário de Lourdes, no sul do país, onde se reunirá no domingo, em privado, com vítimas de agressões sexuais na Igreja Católica.

O pontífice concluirá sua viagem na segunda-feira em Metz, com um discurso sobre a paz e a União Europeia.

Diante das autoridades francesas, ele abordou na sexta-feira os perigos da inteligência artificial (IA) e condenou "a oferta de uma morte programada", em uma crítica velada ao governo francês.

A França aprovou em julho o direito à eutanásia e ao suicídio assistido em determinados casos.

A visita do papa mobiliza um forte dispositivo de 15.000 policiais e gendarmes e custará 27 milhões de euros (160 milhões de reais).

C.Robert--JdCdC