Journal du Club des Cordeliers - EUA não conseguirá 'nada' com pressão econômica, diz presidente do Irã

EUA não conseguirá 'nada' com pressão econômica, diz presidente do Irã
EUA não conseguirá 'nada' com pressão econômica, diz presidente do Irã / foto: - - AFP/Arquivos

EUA não conseguirá 'nada' com pressão econômica, diz presidente do Irã

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, advertiu nesta quarta-feira (26) que os Estados Unidos não conseguirão "nada" com as novas medidas econômicas anunciadas contra a República Islâmica, que Washington ameaçou "asfixiar".

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Após quase seis meses de guerra, os Estados Unidos intensificaram a pressão econômica nesta semana com sanções "secundárias" que buscam isolar ainda mais o Irã, ameaçando parceiros comerciais.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, apresentou na segunda-feira um plano para alcançar a "asfixia econômica" do Irã e advertiu sobre graves consequências para os países que se recusarem a aderir à campanha de Washington.

O presidente iraniano, considerado moderado, reconheceu recentemente que seu país enfrenta "muitas dificuldades econômicas" após décadas de sanções internacionais.

Ainda assim, afirmou nesta quarta-feira que "os Estados Unidos não obterão nada com sua pressão econômica nesta fase, do mesmo modo que não obtiveram durante a guerra".

O presidente americano, Donald Trump, defendeu em declarações à Al Jazeera que Washington está "ganhando a guerra" e que ele "não tem pressa".

Os iranianos "têm uma inflação desmedida, sua economia está afundando, tratam muito mal sua população (...), eu não tenho nenhum prazo", acrescentou.

O conflito foi desencadeado por uma campanha de bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira que disse a Trump, durante seu último encontro em julho, na capital americana, que "duvida" que "se possa alcançar um acordo diplomático com essa gente, com esses selvagens".

"Eu digo a vocês: não se pode chegar a um acordo", reforçou em declarações em que elogia a política de sanções do republicano.

- Irã diz que acertou com Omã sobre renda obtida em Ormuz -

O Irã condiciona o fim do conflito e, em particular, a reabertura do Estreito de Ormuz, ao cumprimento, por parte dos Estados Unidos, do prometido em um memorando bilateral assinado em junho, que ratificava o cessar-fogo alcançado em abril. O documento virou letra morta.

O vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, advertiu nesta quarta-feira no X que o estreito, fechado de facto por Teerã, só será reaberto quando Washington "cumprir plenamente todos os compromissos que violaram".

"O Estreito de Ormuz só será reaberto em troca do fim da guerra em todas as frentes, do levantamento do bloqueio e de uma solução para o Iêmen", onde combatem seus aliados, os rebeldes houthis, afirmou. Além disso, a resposta do Irã às sanções americanas consistirá em "atacar seus interesses econômicos".

Irã e Omã, os dois países às margens de Ormuz, negociam para estabelecer um "corredor temporário" e iniciar uma operação de remoção de minas, anunciaram na terça-feira em um comunicado conjunto.

Segundo detalharam, continuarão negociando para estabelecer um corredor "permanente" e definir "a futura gestão do estreito", além de um mecanismo para "proporcionar os serviços de navegação e segurança necessários".

Assim que esse acordo provisório for finalizado, ambas as partes terão de 30 a 60 dias para negociar um corredor permanente, disse Gharibabadi à agência iraniana Tasnim.

O vice-ministro iraniano explicou à imprensa local que o acordo proposto contemplaria que os navios que ingressassem no Golfo o fizessem por águas iranianas, enquanto os que saíssem utilizariam o litoral do Omã.

Ambos os países negociam "os elementos de uma arquitetura de governança e de segurança para o pós-guerra no Estreito de Ormuz, o que explica a lentidão do processo", afirmou à AFP o pesquisador omanense Abdallah Baabood.

Segundo a Guarda Revolucionária iraniana, envolvida nestas negociações, "alguns acordos foram alcançados sobre qual parte das águas do estreito cabe a cada país e qual parte das receitas corresponde ao Irã e a Omã".

O pacto foi obtido em negociações que os Estados Unidos tentam "obstaculizar", segundo o porta-voz da Guarda, Hossein Mohebi.

Recentemente, Trump ameaçou bombardear Omã caso o sultanato "se interponha" no caminho de um acordo de Washington com o Irã sobre a administração do Estreito de Ormuz.

"Alguns aspectos da diplomacia omanense podem incomodar Washington, mas o país também precisa do canal que Omã oferece", analisou Abdallah Baabood, em referência ao seu papel como intermediário na região.

L.Leroux--JdCdC