Journal du Club des Cordeliers - ONU adverte que temor de sanções dos EUA freia envio de ajuda a Cuba

ONU adverte que temor de sanções dos EUA freia envio de ajuda a Cuba
ONU adverte que temor de sanções dos EUA freia envio de ajuda a Cuba / foto: YAMIL LAGE - AFP

ONU adverte que temor de sanções dos EUA freia envio de ajuda a Cuba

O máximo representante da ONU em Cuba alertou que o temor das empresas de represálias dos Estados Unidos freia o envio de ajuda humanitária vital para a ilha, inclusive medicamentos contra o câncer infantil e equipamentos para o tratamento da água.

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Francisco Pichón, coordenador residente da ONU em Cuba, declarou à AFP na quinta-feira (13) que o clima de temor às sanções entre as companhias de navegação, seguradoras e bancos provocou um "overcompliance" (cumprimento excessivo das normas).

Essa situação obriga as agências de ajuda a desviar a carga e atrasar as entregas destinadas a escolas e hospitais.

"Respondem ao risco de ser sancionados, simplesmente retirado-se temporariamente de prover esses serviços", explicou Pichón.

Desde janeiro, os Estados Unidos impõem um bloqueio de fato ao fornecimento de combustível à ilha comunista, o que agravou a crise energética que já enfrentava e provocou apagões prolongados que interferem na vida de seus 9,4 milhões de habitantes.

Washington também ameaçou impor sanções às empresas que comercializam com o governo cubano, o que aprofundou a escassez de produtos básicos.

"Não há alimentos para nós, idosos", declarou à AFP José Antonio Ortega, de 68 anos.

Ortega, que mora em Havana, explica que sua pensão "não dá para nada".

Um único navio-tanque chegou a Cuba nos últimos sete meses, embora tenham aumentado as vendas privadas e limitadas de tanques de combustível a partir dos Estados Unidos.

"São questões que não tínhamos meses atrás, mas que hoje em dia, por causa do desabastecimento" estão "afetando toda a população, não apenas a população vulnerável", comentou Pichón.

- "Custos e impactos humanitários" -

As empresas agem com cautela diante de qualquer operação que possa pôr em risco o acesso vital ao sistema bancário americano ou à maior economia do mundo.

Pichón deu como exemplo um envio recente de um medicamento usado para tratar o câncer infantil, que não chegou ao seu destino porque um transporte refrigerado não pôde ser conseguido a tempo.

Segundo ele, o mesmo ocorreu com kits de saúde reprodutiva para mulheres grávidas e material escolar.

Os dados do governo cubano indicam que a crise está se agravando rapidamente. A mortalidade infantil mais que dobrou, enquanto o índice de sobrevivência das crianças com câncer diminuiu de 85% para 65%.

A escassez de água também está se aprofundando. Segundo a ONU, cerca de 3,5 milhões de pessoas sofrem com interrupções no abastecimento de água potável, e cerca de um milhão dependem da distribuição com carros pipa, devido à falta de combustível e de eletricidade para os sistemas de bombeamento.

Pichón destacou que a crise não só afeta as instituições cubanas, mas o próprio trabalho de assistência da ONU, que se viu forçada a depender de abastecimentos de combustível cada vez mais escassos, através de canais privados.

Com a temporada de furacões no Caribe, que começou em junho, os funcionários da ONU expressam especial preocupação com a vulnerabilidade dos sistemas de água e saneamento, assim como pelo risco de surtos de doenças.

"Já estamos vendo como estes riscos se traduzem em custos e impactos humanitários", concluiu Pichón.

M.Michel--JdCdC