Journal du Club des Cordeliers - Bósnios votam em meio a divisões herdadas da guerra

Bósnios votam em meio a divisões herdadas da guerra
Bósnios votam em meio a divisões herdadas da guerra / foto: - - AFP

Bósnios votam em meio a divisões herdadas da guerra

Os bósnios votam neste domingo (4) em eleições gerais após uma campanha dominada por partidos que se identificam com as divisões étnicas da guerra da década de 1990.

Tamanho do texto:

Os eleitores escolhem mais de 500 deputados e outros representantes para cargos públicos, incluindo os membros da Presidência tripartite, integrada por bosníacos (muçulmanos), croatas (católicos) e sérvios (ortodoxos).

Em um sistema complexo que mantém o país unido desde o acordo de paz de 1995, os principais candidatos apresentam visões contrapostas sobre seu futuro.

A insistência dos principais partidos na retórica da época da guerra e nas divisões frustrou alguns eleitores, que esperavam mais atenção à economia para melhorar os salários, reduzir o desemprego e convencer os jovens a não emigrar deste país de 3,5 milhões de habitantes.

Drazen Gvozdenovic, professor de acordeão de 40 anos, reconheceu, após votar em Laktasi, no norte da Bósnia, que gostaria de ver "melhorias, sobretudo nos salários e no emprego".

O Acordo de Dayton, negociado pelos Estados Unidos, encerrou o conflito de 1992-1995, mas consolidou divisões que frequentemente paralisam a tomada de decisões.

O acordo dividiu a Bósnia em duas entidades semiautônomas: a República Srpska (RS), governada pelos sérvios, e uma federação de muçulmanos e croatas. Ambas são unidas por um governo central fraco.

O ex-presidente da RS Milorad Dodik pediu neste domingo que os sérvios comparecessem em massa às urnas.

"Se não formos votar, estaremos fazendo o jogo desses sem-vergonha de Sarajevo que tentam manipular tudo para construir uma Bósnia unitária e destruir a República Srpska", afirmou após votar em Laktasi.

Dodik, de 67 anos, não aparece nas cédulas após ter sido impedido de ocupar a Presidência por seis anos, mas continua influente.

Ainda assim, o pesquisador Adnan Cerimagic, da Iniciativa Europeia de Estabilidade (ESI), declarou à AFP que "não é impossível" que o candidato oposicionista Branko Blanusa derrote Savo Minic, apoiado por Dodik, na disputa pela Presidência da República Srpska.

Na Federação Muçulmano-Croata, os partidos bosníacos defendem um Estado central mais forte. O atual representante bosníaco na Presidência, Denis Becirovic, prometeu retomar o caminho rumo à União Europeia e à Otan.

O início da votação foi adiado em dezenas de seções eleitorais devido a problemas técnicos, com o uso, pela primeira vez, de tecnologia de identificação biométrica e escaneamento.

As urnas fecham às 17h GMT (14h de Brasília), e os primeiros resultados são esperados para o fim deste domingo.

C.Chevalier--JdCdC