Arábia Saudita acusa Irã de 'incentivar a escalada' dos houthis do Iêmen
A Arábia Saudita acusou, nesta quinta-feira (15), o Irã de incentivar a recente intensificação do conflito entre os houthis do Iêmen, apoiados por Teerã, e as tropas governamentais iemenitas, apoiadas por Riade, após vários ataques de magnitude sem precedentes em dez anos.
As hostilidades também se intensificaram em solo iemenita: combatentes pró-Irã atacaram o palácio presidencial na cidade de Áden, no sul do país, local para onde o governo reconhecido pela comunidade internacional se retirou em 2015.
Nesse local, os houthis afirmaram ter atacado um quartel militar; a ação deixou pelo menos quatro mortos, segundo informaram fontes governamentais à AFP.
Para a Arábia Saudita, a responsabilidade da República Islâmica nessa escalada é indiscutível. "Acreditamos que a escalada iniciada pelos houthis (...) é incentivada pelo Irã", declarou à imprensa o vice-ministro saudita responsável pela diplomacia, Rayed Krimly.
Segundo ele, Teerã continua "armando, treinando e apoiando [os houthis], violando as resoluções do Conselho de Segurança da ONU".
- Vinte ataques contra o aeroporto de Riade -
Embora o reino continue em contato "direto" com o Irã, não mantém comunicação com os houthis há várias semanas. Segundo o vice-ministro, quando as hostilidades se intensificaram, os combatentes recusaram-se a participar de uma reunião proposta pelo governo de Omã, que atua como mediador.
O conflito, que coloca os houthis em confronto com as forças governamentais — apoiadas pela Arábia Saudita — desde 2014, foi retomado em julho, abrindo uma nova frente na guerra no Oriente Médio.
Atualmente, os ataques contra infraestruturas sauditas, instalações petrolíferas e aeroportos ocorrem quase diariamente.
Desde o início de outubro, os houthis atacaram o aeroporto internacional da capital saudita em 20 ocasiões, segundo a coalizão internacional anti-houthis liderada por Riade.
Seu porta-voz, Turki al-Malki, instou os combatentes pró-Irã a "cessar todas as operações terroristas contra civis e instalações civis".
Ele também apontou, sem mencioná-los explicitamente, o papel desempenhado por "atores regionais" que permitiu aos houthis obterem "mísseis balísticos, drones de ataque e drones suicidas, assim como lanchas rápidas carregadas de explosivos".
- Cúpula UE-Golfo adiada -
Após o ataque de sábado, que deixou 13 mortos no aeroporto de Riade, a capital saudita foi novamente abalada por explosões na quarta-feira.
Na quinta-feira, a coalizão afirmou ter interceptado um míssil na região de Medina, cidade sagrada do islã. À noite, declarou ter interceptado outro no leste do país.
Os houthis insistem que evitarão ataques contra as cidades sagradas de Meca e Medina e negam estar por trás do disparo contra essa área.
Nesse contexto de tensão, os Estados-membros da UE anunciaram o adiamento de uma cúpula com os países do Golfo, prevista para 24 de outubro em Riade. Outros eventos, incluindo três partidas de futebol programadas para esta semana, também foram adiados.
No Iêmen, apesar dos ataques aéreos da Arábia Saudita, as forças governamentais enfrentam dificuldades para recuperar territórios conquistados por combatentes pró-Irã, que, entre outras coisas, reforçaram seu controle sobre Taiz, a terceira maior cidade do país.
O Programa Mundial de Alimentos alertou, na quarta-feira, que os combates impediram a organização de atender cerca de 800 mil pessoas.
"Os hospitais e centros de saúde estão sobrecarregados", alertou, por sua vez, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, mencionando um aumento "sem precedentes" de feridos de guerra.
J.Petit--JdCdC