Journal du Club des Cordeliers - Marine Le Pen promete restaurar ordem ao lançar campanha presidencial na França

Marine Le Pen promete restaurar ordem ao lançar campanha presidencial na França
Marine Le Pen promete restaurar ordem ao lançar campanha presidencial na França / foto: Nicolas Tucat - AFP

Marine Le Pen promete restaurar ordem ao lançar campanha presidencial na França

A líder da extrema direita francesa Marine Le Pen, favorita nas pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais, fez neste domingo (25) seu primeiro grande discurso de campanha, no qual prometeu "restabelecer o Estado de Direito" após os recentes protestos marcados por distúrbios.

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Neste domingo, a candidata à Presidência, que, segundo as pesquisas, está se beneficiando politicamente da crise que a França atravessa, discursou diante de cerca de 8.500 apoiadores de seu partido, o Reagrupamento Nacional (RN), em Orléans, no centro do país, em seu primeiro grande comício de campanha.

"O que propomos para o país não é um retorno ao passado, mas o amanhecer de uma nova era", afirmou a dirigente de 58 anos, em meio a gritos de "Vamos vencer!" e "Macron, renuncie!".

Le Pen também prometeu preservar a identidade cultural francesa, da língua e das tradições aos valores e ao modo de vida do país, o que provocou uma ovação entre seus apoiadores, que agitavam bandeiras francesas.

"Queremos que a França recupere sua força", acrescentou.

Charlene Malingre, uma das participantes do comício, disse à AFP que está cada vez mais preocupada com a insegurança na França. Ela usava um cachecol com a inscrição "Marine Presidente".

"Acredito que Marine Le Pen pode salvar a França da situação atual, sobretudo no que diz respeito à economia, à segurança e à manutenção da ordem", afirmou.

O comício acontece em um contexto de fortes tensões sociais e econômicas.

Centenas de milhares de pessoas voltaram às ruas no sábado, em manifestações contra o alto custo de vida que transcorreram, em sua maioria, de forma pacífica, sob um esquema de segurança reforçado em relação ao fim de semana anterior, quando ocorreram atos de violência e saques em várias cidades.

O Ministério do Interior francês informou neste domingo que houve 1.314 detenções na véspera, além de 53 integrantes das forças de segurança feridos e 24 estabelecimentos comerciais saqueados.

— "Restabelecer o Estado de Direito" —

A dirigente de extrema direita acusou o governo de centro-direita de Emmanuel Macron de demonstrar fraqueza diante dos distúrbios e de ter perdido a autoridade.

"Quem pode afirmar que existe um Estado de Direito quando hordas vêm saquear e incendiar nossos edifícios?", perguntou.

"Vamos restabelecer o Estado de Direito", prometeu.

Le Pen também se comprometeu a tornar mais rígidas as leis de imigração, tanto em nível nacional quanto europeu.

"Restabeleceremos nossas fronteiras, uma dupla fronteira: uma francesa e outra europeia", afirmou.

"A nacionalidade francesa voltará a ser um privilégio que se herda ou se merece", acrescentou.

Le Pen lidera todas as pesquisas de intenção de voto para suceder Macron, que não pode voltar a se candidatar às eleições. A candidata de extrema direita ficaria muito à frente no primeiro turno, com até 38% dos votos, e venceria no segundo turno contra qualquer um de seus possíveis adversários.

Seu partido se beneficia da fragmentação do centro político e das dificuldades enfrentadas pelos partidos tradicionais.

Seu principal adversário, o líder do partido de esquerda radical França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, seria prejudicado pela baixa transferência de votos caso chegasse ao segundo turno e sofreria uma derrota contundente, segundo as pesquisas.

— Contramanifestações —

Antes da fala de Le Pen, seu braço direito e presidente do partido, Jordan Bardella, foi recebido com uma ovação.

O discurso do dirigente de 31 anos foi brevemente interrompido por integrantes de uma organização estudantil judaica, que exibiram uma faixa em referência a uma polêmica envolvendo Bardella, acusado de supostamente ter escrito mensagens antissemitas quando era jovem.

Bardella nega as acusações e, por enquanto, o escândalo não parece frear o impulso do autoproclamado "primeiro partido da França".

Milhares de manifestantes contrários a Le Pen e à sua legenda foram às ruas no sábado, em Orléans, entoando palavras de ordem antifascistas.

"Um dos riscos de o Reagrupamento Nacional chegar ao poder, para além de suas políticas, é o clima que poderia gerar", declarou à AFP Antonine Rochet, professora de ioga de 35 anos.

"Se a extrema direita chegar ao poder, tememos que a situação piore muito", acrescentou.

Se vencer as eleições presidenciais, Le Pen promete endurecer as medidas de segurança, controlar a imigração, expulsar estrangeiros e reformar a Constituição por meio de um referendo, entre outras medidas. Ela também não descarta entrar em um "braço de ferro" com a União Europeia.

Ela terá de "convencer" os 15% dos eleitores que ainda lhe faltam para chegar ao poder de que suas "soluções para melhorar a vida das pessoas" e "fazer os franceses felizes" são justamente aquelas de que um país à beira de uma crise social e financeira precisa.

R.Renault--JdCdC