Zanin, do STF, prorroga votação do 2º turno entre Lula e Flávio Bolsonaro
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou neste domingo (25) por duas horas o horário de fechamento dos locais de votação em todo o país, que decide, em segundo turno, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu adversário conservador, o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Esta é a batalha eleitoral derradeira para Lula, que, perto de completar 81 anos, espera conseguir uma virada depois de perder no primeiro turno para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As últimas pesquisas mostram um empate técnico, com uma ligeira vantagem para o senador.
O presidente de esquerda denunciou, no meio do dia, obstáculos no sistema de transporte público para chegar aos locais de votação em São Paulo e em algumas cidades do Nordeste, onde o Partido dos Trabalhadores tem sua base eleitoral, como Salvador.
"Ninguém pode desistir de votar porque algum empresário sacana ou algum prefeito mau-caráter, bandido, tentou evitar que o povo votasse", disse o presidente em frente à sua casa, em São Paulo.
Diante da "gravidade" dos fatos denunciados, a votação foi prorrogada em todo o Brasil até as 19h por determinação do ministro Zanin, em uma decisão consultada pela AFP.
A campanha de Bolsonaro, por sua vez, havia solicitado a prorrogação por duas horas em alguns municípios de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, devido às "chuvas intensas".
- "Chegou a hora da mudança" -
O segundo turno deste domingo determinará se o Brasil continuará sendo uma das poucas nações de esquerda da América Latina ou se se juntará à guinada regional à direita estimulada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O presidente americano não endossou publicamente o filho de seu aliado. Neste domingo, ao ser perguntado sobre a eleição brasileira, Trump respondeu: "Estamos acompanhando".
Lula, que busca um quarto mandato não consecutivo, apresentou-se como uma barreira contra a interferência dos Estados Unidos e um protetor da democracia.
Flávio Bolsonaro, de 45 anos, promete combater a criminalidade com mais rigor, reduzir os gastos públicos e aliviar o custo de vida.
"Estamos em um buraco, a situação está feia, o povo mal consegue comer, comprar carne então nem pensar", disse à AFP Tereza Cristina Ramos, uma aposentada de 68 anos, que caminhava com o apoio de uma bengala, antes de votar no Rio de Janeiro.
Flávio Bolsonaro apresentou-se como mais moderado do que seu pai, conhecido por seus discursos inflamados, que está cumprindo uma pena de 27 anos em regime de prisão domiciliar por uma tentativa de golpe de Estado após sua derrota nas eleições de 2022.
"Chegou a hora da mudança de verdade", disse o senador ao votar em uma escola municipal em Vila Isabel, no Rio de Janeiro. "O Brasil não aguenta mais quatro anos do jeito que está, a vida de todo mundo piorou."
- "Mais tempo" -
Os manifestantes relembraram a condução caótica da pandemia de covid-19 - que deixou 700 mil mortos -, a devastação da floresta amazônica e os cortes nos programas públicos.
"O Brasil precisa de mais tempo do Lula, principalmente porque o Brasil está prestes a cair nas garras do fascismo", disse à AFP Maria Fernanda Elisbao, de 21 anos, assistente em uma editora, que votou na mesma escola em que o candidato de esquerda.
Lula, reverenciado pelos programas de assistência social que tiraram milhões de pessoas da pobreza, protagonizou um retorno dramático ao poder nas eleições de 2022, após ser preso por corrupção por mais de 18 meses em decorrência das investigações da Operação Lava Jato.
As acusações, anuladas por questões processuais, continuaram a persegui-lo.
Em seu terceiro mandato, ele supervisionou uma queda da inflação e do desemprego e tirou milhões de pessoas da fome, mas os eleitores reclamam do alto custo de vida e estão cansados da criminalidade.
A campanha foi marcada por uma intensa batalha nas redes sociais que envolveu a Meta, empresa controladora do WhatsApp, do Facebook e do Instagram.
A campanha de Lula acusou a empresa de favorecer seu adversário por meio de "manipulação algorítmica", o que a Meta negou.
Independentemente de quem vencer, o Brasil enfrentará um período posterior às eleições marcado por fortes tensões.
"Se a esquerda vencer, ganha quatro anos com um Congresso hostil e ameaças de impeachment", afirmou o analista político Thomas Traumann, referindo-se aos expressivos avanços legislativos da direita.
"Se a extrema direita vencer, será um governo de revanche contra o Supremo Tribunal Federal", instituição detestada pela direita após a condenação de Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado.
B.Barbier--JdCdC