Conselho de Supervisão da Meta pede que verificação não seja substituída por 'Notas da Comunidade'
O Conselho de Supervisão da Meta pediu ao grupo de tecnologia que não substitua seu programa de verificação de informações realizado por jornalistas por "notas da comunidade", conforme proposto pela empresa californiana em 16 países da América Latina.
Em comunicado consultado pela AFP neste sábado (12), o conselho argumenta que a verificação por parte de profissionais da informação e as "notas da comunidade", criadas e aprovadas por usuários das redes sociais, são mecanismos complementares que servem a "dois propósitos distintos".
O Conselho de Supervisão da Meta insiste que as "notas da comunidade" podem acabar sendo contraproducentes ou manipuláveis em regimes repressivos e em países muito polarizados.
Por isso, "instamos a Meta a não apresentar as notas da comunidade como uma substituição direta da verificação", indicou em seu comunicado o conselho da empresa que reúne Facebook, WhatsApp e Instagram.
Na quarta-feira, a gigante tecnológica liderada por Mark Zuckerberg anunciou que começou a testar suas Notas da Comunidade em 16 países da América Latina, como passo em direção à substituição do atual programa de verificação profissional jornalística de conteúdos.
O anúncio ocorreu em pleno fortalecimento da direita e da extrema direita na América Latina, impulsionado por candidatos que chegaram à presidência de países como Chile, Colômbia, Equador, Argentina e Peru, que se declaram admiradores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e têm como modelo o mandatário de El Salvador, Nayib Bukele.
Todos eles contam com estratégias ambiciosas nas redes sociais, onde há grande quantidade de desinformação para exaltar sua imagem e difundir sua mensagem.
No ano passado, dias antes de Trump iniciar seu segundo mandato na Casa Branca, a Meta já havia encerrado este programa nos Estados Unidos, optando pelas Notas da Comunidade baseadas em um sistema de colaboração em massa, como já vinha fazendo a plataforma X, de Elon Musk.
Neste caso, não são redações nem jornalistas profissionais que verificam informações potencialmente enganosas, mas sim usuários das redes sociais que cumpram uma série de requisitos, como ter pelo menos 18 anos, uma conta com no mínimo seis meses de existência e não ter infringido reiteradamente as normas da Meta.
- Fatores de risco -
O conselho enfatizou que, embora essas notas "possam trazer informações para debates importantes e estimular a livre expressão", também podem causar "danos no mundo real" em certos casos, como o de "regimes que reprimem os direitos humanos", contextos polarizados que levam à "violência política" e países com "redes de desinformação em larga escala".
"A decisão de passar da fase de testes para a implementação deve se basear em uma análise dos riscos específicos de cada país", acrescenta.
Os países afetados pela decisão da Meta são Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.
O Brasil, que realizará eleições presidenciais em outubro e é o maior mercado das plataformas da Meta, não foi incluído.
A AFP participa, em mais de 26 idiomas, do programa de verificação profissional de fatos desenvolvido pelo Facebook, que contrata dezenas de veículos de comunicação de todo o mundo para essa finalidade.
O anúncio desta semana foi rapidamente questionado pela Rede Internacional de Checagem de Fatos (IFCN, na sigla em inglês), da qual a AFP é membro, que afirmou que o programa da Meta não é suficiente em "contextos de alta desinformação".
M.Michel--JdCdC