Houthis do Iêmen ameaçam com resposta "dolorosa" se EUA intervir na guerra
Os houthis do Iêmen advertiram, nesta segunda-feira (12), os Estados Unidos, aliados próximos da Arábia Saudita, que se Washington decidir intervir na guerra, terá uma "resposta rápida e dolorosa", enquanto combatentes do grupo pró-Irã continuam atacando Riade.
As hostilidades entre os houthis do Iêmen e as forças governamentais, apoiadas por uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, foram retomadas em julho, mas se intensificaram desde setembro.
Os ataques realizados neste fim de semana pelos houthis, um movimento pró-iraniano que controla boa parte do Iêmen e está em conflito com a Arábia Saudita há mais de uma década, tiveram uma escalada.
Na noite de segunda-feira, a capital saudita voltou a ser sacudida por fortes explosões. Os moradores receberam um aviso das autoridades em seus celulares, pedindo que se abrigassem "em um lugar abrigado, um lugar seguro, longe de janelas e portas", pela primeira vez em semanas.
Riade, por sua vez, afirmou ter interceptado um míssil balístico disparado pelos houthis.
- "À prova" -
"Se os Estados Unidos se envolverem na agressão contra o Iêmen (...), a resposta será rápida e dolorosa", tanto para Washington quanto para "todos os seus interesses na região", advertiu Mohamed Al Bukhaiti, membro do gabinete político dos houthis, em declarações à AFP na capital iemenita, Saná.
Diante da "teimosia [de Riade] em privilegiar a opção militar", ele alertou para a possível "destruição e toda a infraestrutura sauditas" e instou os trabalhadores das instalações petrolíferas e dos aeroportos sauditas a se manterem "afastados" desses locais.
O ministro saudita da Energia admitiu, nesta segunda-feira, que o reino tinha sido "posto à prova", após os ataques mortais dos últimos dias, sobretudo contra o aeroporto da capital, e prometeu dar uma "resposta firme".
"Essas circunstâncias colocaram à prova nossas infraestruturas, nossas instituições, nossos equipamentos e nossa resiliência", declarou o príncipe Abdulaziz bin Salman, cujo país é o principal exportador de petróleo do mundo.
- Voos cancelados -
As autoridades sauditas tiveram de fechar o aeroporto da capital, que permanecerá inoperante pelo menos até quinta-feira, informou à AFP uma fonte do setor aéreo, em um momento de eventos econômicos na cidade, que costumam atrair muitos empresários estrangeiros.
A companhia aérea nacional do Bahrein informou que havia cancelado até sábado todos os seus voos tendo Riade como origem e destino, uma medida também adotada pela companhia aérea nacional dos Emirados Árabes Unidos até a próxima segunda-feira devido a "perturbações regionais".
Diante dessa situação, a embaixada dos Estados Unidos anunciou que seus funcionários precisarão solicitar "uma autorização especial" para entrar em todos os aeroportos do reino e recomendou "o máximo de cautela" àqueles que decidirem viajar de avião.
A embaixada da Austrália no país também pediu a seus cidadãos para buscarem um lugar seguro.
Nesta segunda-feira, a embaixada dos Estados Unidos em Riade informou que cidadãos americanos foram detidos na Arábia Saudita por terem "tirado fotos dos acontecimentos recentes", mas não detalhou quantos são, nem se já foram liberados.
O reino costuma advertir os moradores sobre a divulgação de informações, imagens ou vídeos não autorizados de mísseis, drones ou de seus impactos, lembrou a representação diplomática.
- "Impossível se defender" -
Os ataques contra a Arábia Saudita são os mais mortais da última década.
O aeroporto de Riade não foi o único alvo. A autoridade da aviação civil relatou outro ataque ao aeroporto de Dammam, no leste, junto ao Golfo.
"As defesas aéreas sauditas conseguiram interceptar alguns mísseis e drones dos houthis, mas a Arábia Saudita é tão extensa que simplesmente lhes é impossível se defender completamente", comentou Thomas Juneau, analista de segurança da Universidade de Ottawa.
No Iêmen, meios de comunicação alinhados aos houthis relataram dois ataques sauditas na região da capital Saná, dentro do território controlado por eles.
Um porta-voz do Ministério da Saúde, sob autoridade houthi, disse no X que um civil morreu. No terreno, o governo iemenita internacionalmente reconhecido e apoiado por Riade afirmou estar avançando em sua contra-ofensiva contra os houthis nas imediações do Estreito de Bab el-Mandeb, uma importante via marítima por onde transitam mercadorias asiáticas destinadas à Europa, segundo informaram no sábado fontes militares.
Os houthis, que há semanas estão posicionados nessa área, asseguram que os repeliram. Os combatentes pró-iranianos reforçaram seu cerco a Taiz, terceira cidade do país, onde os combates deixaram mais de 60 mortos nas últimas 24 horas, segundo fontes militares de ambos os lados.
As alegações de uma parte e de outra têm sido impossíveis de verificar de forma independente, devido à volatilidade da situação e à dificuldade de acesso para os jornalistas.
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P.Perrin--JdCdC